O que é Humanismo?
O Humanismo é uma postura filosófica e ética progressista que afirma a dignidade e o valor inerentes a cada ser humano. É amplamente reconhecido como uma visão de mundo não teísta que se baseia na razão, na Ciência e na empatia, em vez de revelações sobrenaturais ou divinas, para compreender o Universo e orientar a conduta humana. Humanistas enfatizam que a moralidade é um produto natural da cultura humana e da evolução social, visando o bem comum e a realização pessoal na única vida que temos certeza de ter.
As raízes históricas do Humanismo remontam à Grécia e Roma antigas, onde filósofos como Sócrates e Aristóteles exploraram a ética pela primeira vez através da investigação humana. No entanto, floresceu de forma mais significativa durante o Renascimento como um movimento para recuperar e interpretar o conhecimento clássico, deslocando o foco intelectual da escolástica medieval para o estudo das humanidades (gramática, retórica, história, poesia e filosofia moral). Essa transição colocou o homem como a medida de todas as coisas, priorizando a ação e as realizações humanas em detrimento de dogmas religiosos rígidos.
Na prática contemporânea, o Humanismo secular moderno é definido por seu compromisso com o naturalismo científico e a rejeição do sobrenatural. Grandes organizações internacionais, como a Humanists International e a American Humanist Association, o definem como uma postura democrática em relação à vida, que afirma que os seres humanos têm o direito e a responsabilidade de dar sentido às suas próprias vidas. Isso envolve o uso do pensamento crítico e do raciocínio baseado em evidências para abordar desafios globais, desde as mudanças climáticas até à justiça social.
A ética dentro do Humanismo é situacional e autônoma, o que significa que deriva das necessidades humanas e das consequências sociais, em vez de mandamentos teológicos. Humanistas acreditam que ser bom sem Deus não é apenas possível, mas necessário, pois encoraja os indivíduos a agirem por compaixão e preocupação com os outros, em vez de medo de punição divina ou esperança de recompensa em uma vida após a morte. Essa perspectiva promove um forte foco nos direitos humanos universais, na responsabilidade social e no cultivo de uma sociedade mais humana.
Em última análise, o Humanismo oferece uma visão holística da vida que celebra a criatividade humana, a imaginação e a busca pelo conhecimento. Ao reconhecer a interconexão de toda a vida e a fragilidade do nosso planeta, humanistas trabalham por um futuro onde o bem-estar e a justiça sejam alcançados unicamente pelo esforço humano. Essa filosofia permanece dinâmica, evoluindo para abordar novas fronteiras éticas na tecnologia e na globalização, sem deixar de estar ancorada nos valores fundamentais da razão e da dignidade humana.
“Os olhos do medo querem que você coloque fechaduras maiores nas portas, compre armas, se tranque. Já os olhos do amor veem a todos nós como um só. Isto é o que podemos fazer para mudar o mundo agora mesmo para melhor: Pegar todo o dinheiro que gastamos com armas e defesa todo ano e gastá-lo com comida, roupa e escola para os pobres. Dá para pagar muitas vezes, sem excluir um único ser humano, e ainda dá para explorarmos o espaço juntos, perto e longe, para sempre, em paz.”(It’s Just a Ride)
Humanismo e o Sentido da Vida
Algumas pessoas acreditam que há só um sentido da vida. Pensam que o Universo foi criado com um propósito e os seres humanos fazem parte de algum plano cósmico maior. Acham que sentido vem de fazer parte desse plano, que estaria escrito no Universo, à espera de ser descoberto.
A visão humanista do sentido da vida é diferente. Humanistas não acham que há um óbvio propósito para o Universo, e sim que é um fenômeno natural, sem projeto algum por trás dele. Sentido não é algo lá fora esperando para ser descoberto, mas algo que nós criamos em nossa própria vida. Embora esse vasto e incrivelmente antigo Universo não tenha sido criado para nós, todos estamos conectados a algo maior que nós mesmos, seja ele a família e comunidade, uma tradição que se estende ao distante passado, uma ideia ou causa que mira o futuro ou o belo e mais amplo mundo natural em que nascemos e nossa espécie evoluiu.
Essa maneira de pensar significa que não há apenas um grande sentido da vida, e sim que cada pessoa terá muitos diferentes sentidos da sua vida. Cada um de nós é único e nossas diferentes personalidades dependem duma complexa mistura de influências de nossos pais, ambiente e relações. Elas mudam com a experiência e alteração nas circunstâncias. Não há receitas de vida simples que sejam aplicáveis a todas as pessoas. Temos gostos, preferências, prioridades e objetivos diferentes.
Uma pessoa pode gostar de desenhar, caminhar na floresta ou cuidar de seus netos. Outra pode gostar de cozinhar e assistir a novelas, saborear seu vinho favorito ou provar novos tipos de comida. Podemos encontrar sentido na família, carreira profissional, engajamento num projeto artístico ou reforma política, em simples prazeres, como jardinagem e passatempos, ou milhares de outras coisas, dando rédeas à nossa criatividade ou curiosidade, a nossas capacidades intelectuais ou nossa vida emocional.
O momento de ser feliz é agora, e a maneira de encontrar sentido na vida é ir em frente e vivê-la tão plenamente e bem quanto possível.
British Humanist AssociationTraduzido por Paulo Bittencourt
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